segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Livro : Teoria geral dos sistemas - Von Bertalanffy

Analisaremos a Teoria geral dos sistemas, segundo o livro do autor Von Bertalanffy


"Os Sistemas estão em toda parte

Por consequência do avanço tecnológico, o termo “sistemas” vem se difundindo na sociedade
moderna. A necessidade de se encontrar novos meios para realizar tarefas faz surgir novas profissões voltadas ao “enfoque sistêmico”, com o objetivo de não somente realizar a tarefa pretendia, mas a realizar com o máximo de eficiência e menor custo possíveis.
Todos essas mudanças levam o período atual a se caracterizar como uma “Segunda Revolução Industrial”, pois os sistemas estão presentes em todos os campos da ciência. Essa transformação ocorre na maneira do homem pensar, que passa a encarar tudo como se fossem grandes complexos (sistemas), reorientando o pensamento científico.
As novas descobertas nos campos da biologia molecular, genética, medicina, entre outros, já se tornaram conhecimento comum, porém falta uma visão voltada mais ao nível da organização
da matéria viva, e não somente uma visão mais aprofundada dos complexos da matéria.
A teoria sobre sistemas pode servir para diversos campos, até mesmo nas ciências sociais, onde se deve tratar os fenômenos sociais contemporâneos como sendo “sistemas”, mesmo sabendo a complexidade das definições sócio-culturais dos povos atuais.
Os grandes acontecimentos da história foram tidos como atos de indivíduos, que foram tomados como seres fora dos padrões humanos (tratados como gênios, pessoas com capacidades sobre-humanas), mas que na verdade não são os grandes encarregados pelos acontecimentos, somente uma pequena peça de um grande “sistema”, que pode ser representado por ideologias e tendências sócio-culturais.
Mesmo sabendo das deficiências das teorias como das de Spengler e Toynbee, as leis dos sistemas sócio-culturais são dotadas de sentido, mas não formam algo inevitável.
Apesar da história e a sociologia tratarem de organizações informais, foi desenvolvido a “teoria das organizações formais”, que podem ter como exemplos empresas comerciais que seguem algum tipo de “padrão/regras”. O estudo dessas organizações, no ponto de vista
sistêmico, as trata como um sistema de variáveis mutuamente dependentes (se interagem). Por consequência se equipara a teoria por trás das organizações com a teoria geral dos sistemas, que procura tratar os sistemas como sendo uma grande entidade, e não um aglomerado de partes.
Tudo o que já foi comentado pode ilustrar o conceito de “sistemas”. Uma consequência do
conhecimento sobre sistemas é que o “novo mundo” não se refere mais a pessoas, mas sim a “sistemas”. O ser humano, “o objeto falível”, se torna um item de consumo que pode ser facilmente substituído, e deve ser eliminado e substituído por máquinas que ele mesmo criou ou
se tornar um ser idiota treinado para uma única coisa (um ser “super especializado”). O indivíduo não passar a ser nada mais do que uma “roda dentada” do grande sistema, regido por alguns
“líderes” que só se preocupam com o próprio sistema.
Não importa se considerarmos essa expansão do conhecimento como sendo algo benéfico ou
uma extensão do pensamento de “linhas de produção”, devemos saber que esses fatos são dignos
de um intenso estudo.

História da Teoria dos Sistemas

O conceito de “Sistema” possue uma longa história, apesar de que o termo “Sistema” não era mencionado. Vários pensadores importantes fizeram parte dessa história, como Leibniz, Nicolau de Cusa, Marx e Hegel.
Outro precursor dos “Sistemas” foram as “Gestalten físicas”, escritas por Kohler, que seguiam
um pensamento parecido, porém se limitava à física, e não tratava de toda a generalidade do problema. Em uma publicação posterior, Kohler deu mais um avanço, criando um postulado de
uma teoria dos sistemas, que era destinada a sistemas orgânicos e inorgânicos. A obra clássica de Lotka se aproximou mais do objetivo, ao tratar a sociedade como um sistema e se preocupar mais com problemas da sociedade do que problemas biológicos de um indivíduo.
A necessidade da abordagem dos sistemas só se tornou visível recentemente, quando se
percebeu que não era viável tratar as ciências por partes isoladas. Com essa nova abordagem, novas criações se tornaram viáveis em todos os ramos da ciência.
Ludwig ficou intrigado com peças que faltavam na biologia. A abordagem atual não tratava
do organismo como um sistema, que interagia para criar condições de vida, mas sim tratava
com um enfoque mecanicista.
Idéias semelhantes começaram a surgir em outros lugares, mostrando que esse era o início de uma nova tendência, que necessitava de tempo para ser aceita.
Juntamente com o trabalho sobre o metabolismo e as novas teorias sobre o organismo, a teoria dos sistemas abertos foi proposta, baseando-se no fato que o organismo é um sistema aberto, apesar de que na época não existia nenhuma teoria desse tipo. Assim, a biofísica passou a exigir
uma melhora da física convencional, o que mais tarde acabou ficando conhecida como termodinâmica irreversível.
A biologia até então era tida igual ao trabalho em laboratório, o que fez o autor passar por
rejeições ao publicar “Theoretische Biologie”, que tratava de um outro campo da biologia, que
só passou a ser aceito e divulgado mais tarde. Por causa da última guerra, parte das publicações
foram destruídas. Após a guerra, a teoria geral dos sistemas foi amplamente discutida entre físicos e em conferências.
Um grande obstáculo para a aceitação da teoria dos sistemas foi o fato que ela era tida como trivial e falsa, por causa de suas analogias superficiais que mudavam as diferenças reais, conduzindo a conclusões erradas.
Os ataques à teoria dos sistemas não atingiam o verdadeiro objetivo dela, que era ter uma interpretação generalista e uma teoria sobre assuntos que até então não existiam.
Outra linha de desenvolvimento estava surgindo, com a publicação do livro “Cybernetics” de Norbert Wiener, que foi o resultado dos recentes estudos da tecnologia de computadores, teoria
da informação e das máquinas auto-reguladoras. Wiener levou os conceitos cibernéticos de retroação além dos campos da tecnologia, generalizando-os nos campos biológicos e sociais.
A teoria dos sistemas não surgiu por causa dos esforços feitos para a guerra, mas sim pelos
esforços que já haviam sido feitos antes."

Fonte : VON BERTALANFFY, Ludwig. Teoria geral dos sistemas. Petrópolis: Editora Vozes, 1977. Páginas 54 - 61.

Livro : A Teia da Vida - Capra

Fritjof Capra já é um autor conhecido dos leitores brasileiros desde sua primeira obra que obteve grande sucesso no
país, "O Tao da Física" seguido do não menos festejado "O Ponto de Mutação".
A Teia da Vida é o livro de Capra que analisaremos aqui.


"Em "A Teia da Vida" Capra apresenta uma síntese de descobertas científicas recentes trazendo uma nova abordagem
para compreensão da vida através da teoria da complexidade, estruturas dissipativas, dinâmica das redes, dinâmica não linear,
autopoiese, auto-organização, atratores caóticos, fractais entre outros conceitos.

Apesar de pretender escrever o livro para leigos Capra, em que pese constantes explicações que são apresentadas
sempre que um conceito físico ou químico é introduzido, não parece ter alcançado completamente este objetivo, pois em
certas passagens o leitor sem um conhecimento prévio de conceitos básicos de física, química e biologia, encontrará
certa dificuldade para acompanhar o raciocínio científico. Mas não são dificuldades que uma leitura paralela não resolva.

O livro é divido em quatro partes e um epílogo. Nas partes 2, 3 e 4 são apresentados os embasamentos cientificos da
teoria apresentada por "A Teia da Vida". Nos capítulos que compõem essas partes não são apresentadas idéias novas e
sim, na verdade, uma compilação de idéias e trabalhos de outros cientistas encaixados num conceito que define uma
rede da vida dentro dos conceitos holísticos já divulgados pelo autor, fato que não prejudica a recomendação da leitura. O
livro chega a ser um manual sintético de biologia, matemática da complexidade e estruturas dissipativas.

Capra define uma entidade viva através de três critérios fundamentais que precisam estar presentes para configurar a
existência da vida.

São estes; um padrão de organização caracterizada pela autopoiese ou autocriação, uma estrutura denominada pelo físico e
químico russo Illya Prigorine como estrutura dissipativa e finalmente fechando os três critérios um processo vital
desempenhado pela cognição.

O trabalho de alguns autores cientistas é fundamental para o acompanhamento do livro, um deles é Lynn Margullis
autora de Microcosmos, livro editado em português também pela Cultrix. Conforme própria declaração do autor o capítulo
10 de A Teia da Vida é em grande parte baseado neste livro. Outro autor suporte para "A Teia da Vida" foi Ylia Prigorini,
premio Nobel e que desenvolveu a teoria das estruturas dissipativas. Um terceiro autor importante na idéia
desenvolvida no livro é o chileno Humberto Maturana que estabeleceu o conceito da autopoiese e é um consagrado
pesquisador da cognição."

Fonte: CAPRA, Fritjof. A teia da vida. São Paulo: Editora Pensamento-Cultrix, 1996.Páginas 05 - 07.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Livro : Mal-estar na modernidade - Sérgio Paulo Rouanet

A crise da modernidade, segundo Sérgio Paulo Rouanet
O pensador brasileiro Sérgio Paulo Rouanet no seu estudo “As origens do Iluminismo” (1987) oportunamente observa que o prefixo pós tem muito mais o sentido de exorcizar o velho (a modernidade) do que de articular o novo (o pós-moderno). Ou seja, o que há é uma “consciência de ruptura”, que o autor não considera uma “ruptura real”. Rouanet escreve:

“depois da experiência de duas guerras mundiais, depois de Aushwitz, depois de Hiroshima, vivendo num mundo ameaçado pela aniquilação atômica, pela ressurreição dos velhos fanatismos políticos e religiosos e pela degradação dos ecossistemas, o homem contemporâneo está cansado da modernidade. Todos esses males são atribuídos ao mundo moderno. Essa atitude de rejeição se traduz na convicção de que estamos transitando para um novo paradigma. O desejo de ruptura leva à convicção de que essa ruptura já ocorreu, ou está em vias de ocorrer (...). O pós-moderno é muito mais a fadiga crepuscular de uma época que parece extinguir-se ingloriosamente que o hino de júbilo de amanhãs que despontam. À consciência pós-moderna não corresponde uma realidade pós-moderna. Nesse sentido, ela é um simples mal-estar da modernidade, um sonho da modernidade. É literalmente, falsa consciência, porque consciência de uma ruptura que não houve, ao mesmo tempo, é também consciência verdadeira, porque alude, de algum modo, às deformações da modernidade”.

Fonte: http://adrianaromeiro.blogspot.com/2009/06/crise-da-modernidade-segundo-sergio.html - acessado em 10- 10 - 2009 - às 13:40 h.